O Coelho Branco

  • terça-feira, outubro 25, 2016
  • By Kate Mostachi
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Tem dias que não acordamos muito bem. Meio sem rumo, meio sem saber o que fazer. Querendo fazer tudo, querendo não fazer nada. Pra quem é ansioso, ou sofre de crise de ansiedade, essa é a realidade de quase todos os dias. É muito difícil lhe dar com essa crise. E eu sofro dela. É bem complicado na verdade, ás vezes quero só ficar enterrada nas cobertas e não sair do quarto, outras vezes quero companhia, não quero me sentir só. 

Quero fazer tudo ao mesmo tempo e também quero não fazer nada. Não sei se todas as pessoas que sofrem com crise de ansiedade são assim, acho que essa dualidade é uma coisa mais pessoal, mais minha. Já passei por vários conflitos como este. Normal, todo mundo já deve ter passado. Mas tem dias que eu fico realmente deprimida por causa de algumas contestações que eu mesmo acabo criando. Incertezas da vida. Mas, como diz a música de Humberto Gessinger, é inútil ter certeza.

Andei meia sumida daqui essa semana porque não estava me sentindo muito bem. Estou numa certa idade onde os questionamentos da vida só aumentam e queria obter todas as repostas para saber onde isso vai dar, como vou estar e se tudo vai ficar bem. Dúvidas como o que estou fazendo dá vida por exemplo. Na minha situação eu perguntaria o que a vida está fazendo comigo, mas acho que soaria muito desesperador e sem sentido, afinal as escolhas foram todas minhas não é mesmo? Sei lá. Só imaginava diferente no fim das contas.


Sabem a Alice, aquela do País das Maravilhas? Me acho meia parecida com ela muitas vezes. A Alice tinha medo do que viria a acontecer. Não queria fazer escolhas. Mas tinha vontade de saber o que aconteceria. As vezes me pergunto se não somos todos Alice nesse mundão cheio de dúvidas e incertezas. É poético, é uma pira minha. Mas acho bem sensata.

E o coelho branco? Já se perguntaram o que ele realmente significa? Seria o tempo batendo na nossa cara? A curiosidade? Ou ainda, o próprio tempo nos perguntando "o que você está fazendo aí parado? Rápido, faça valer à pena!". Já pensaram nisso? Piro muito em semiótica, me julguem. Não consigo evitar. E essa história, filme, livro, que seja, tem muita semiótica. Sempre me faz pensar bastante em tudo. Afinal, seria o coelho branco uma representação de crise de ansiedade?


Será que já fiz tudo o que eu podia fazer? Será que tenho que fazer mais? E o tempo? Será que ainda tenho tempo para fazer tudo o que eu quiser e preciso? Quando me vejo no meio de questões assim repasso tudo o que já fiz até aqui, e fico vendo onde podia ter errado ou onde posso melhorar. Não sei se é uma prática saudável, mas faço isso muitas vezes. Tenho um sério problema com o tempo. Ás vezes encaro ele como um vilão. É uma coisa da ansiedade também. Mas no fundo sei que não precisa ser assim. Vai ficar tudo bem, é o que sempre digo pra mim mesma, como uma forma de tentar me acalmar.



Deixo aqui uma música, que tem tudo haver com o tema, White Rabbit, versão da Emiliana Torrini. Adoro essa música e as vezes fico meia perdida nos meus pensamentos ouvindo ela. Foi um dos temas tocados no último filme lançado sobre o país das maravilhas, Alice través do espelho, de Tim Burtom, e a música foi regravada pela cantora Pink. Muitas pessoas não gostaram da saga, mas eu adorei. Achei a história fascinante e os efeitos especiais também. Sou meia suspeita para falar pois amo qualquer coisa relacionada ao país das Maravilhas. Mas acho que esse filme merece uma resenha especial aqui. Quem sabe uma outra hora.



Talvez este post lhe pareça meio sem sentido, entenda apenas como um desabafo. Meio confuso. Mas quem é que ás vezes não fica confuso nessa vida, né não? Bjo.



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2 comentários

  1. O tempo não é o inimigo, é um aliado aprendemos isso no Alice através do espelho, hehehe...
    Realmente, a ansiedade é um problema recorrente do século XXI, acredito eu que é devido à acomodação dessa nossa geração acostumada com conquistas em tempo curto, mas também acredito que com uma mudança de olhar podemos ver o tempo como um grande livro, e que não é possível avançar as páginas sem vivencia-las! Pensando nele como nosso aliado e instrutor aos poucos a ansiedade vai ficando de lado! É importante dar visibilidade a temas complexos, você fez um belo texto.

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    1. Ounw! Obrigada Roger!! Eu estou nessa fase estranha, mas estou tentando de verdade ver o tmepo como aliado, e parar de agir assim. Muito obrigada de coração! <3 Adorei!

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